quarta-feira, novembro 03, 2004

Contabilidade

Quantos somos?
Quantos fomos?
Quantos ficam?
Quantos vão?
A estatística da vida
Contabilidade perdida
Escrita
Nas linhas da mão.

E se leres, o silêncio vale?

Risco, linha, ponto
Ponto por ponto
Cada letra que se junta
Para dizer?
Para escrever
O quê?
A sairem, as palavras
O silêncio
Fica na escrita
Se não falo.
Escrevo
Fica para mim
Só para mim?
E se leres,O silêncio vale?
Vale mais,
As palavras levam-nas o vento
Disse, voou, passou
Escreveu, registou, guardou.
Até queimar, rasgar, destruir.
E fica na memória,
Na alma,
Para sempre...Registo Intemporal.

Vinca a tinta no papel

A liquidez
Instantânea, repetida
Diluída, nos pensamentos
Ou vice-versa?
Solta a linha
Corre a tinta
O que sentes?
O que escreves?
Liberta, grita
Vinca a tinta no papel
Que aqui ninguém manda
Nem censura
Nem ditadura
Liberdade a granel
Liberdade é no papel.

Viver no Eco do momento.::.28_05_2003

Ecoa,
movimento na cabeça
A ressonância das memórias
Relembrar, aqui e ali
O som traz o passado
E sonhas
O que será
O que farás?
O eco traz as memórias

do que foi, já era, será
Talvez...
O que se passou...
Entendes?
Em vão.
O que será?
Sabes?
E assim passas o momento

O presente
O que é, já não é mais
Viver no eco do momento
Passou, já não é mais

O que nunca foi
O presente.
Um presente da vida

A vida não vivida.
Na solidão
No Eco
do momento
Um presente:
O Presente para ti.

(Foi, não mais.)