Cadernos de Bs.As.::Parte I
29 Janeiro 2002
Buenos Aires::: HOT HOT HOT
Os pingos que simulam chuvinha alternada, que surpreendem nos passeios, que dão vontade de passar por lá e pedir que caiam na face e baixem a temperatura.
O piso sempre uma surpresa de tão irregular e mal condicionado,
papeis, papeis, e mais papeis....tudo no bolso para deitar fora ou mais tarde recordar...
sempre “gracias”, sempre “muchas gracias”...por tudo e por nada.
Os kiosques, as pastilhas, rebuçados, bebidas, muitas, muitas bebidas, muita água.
Destilando e procurando sempre caminhar pela sombra...vai pela sombra, sim!
Locutórios, cyber, água, pastilhas, tabaco, fruta nas caixas, cá fora das lojas, tudo fora das lojas.
A relembrar a confiança já inexistente em Portugal.
“Uma foto consigo que é tão bonita...”, e a minha desconfiança, porquê eu?
Deve ser sacanagem....
O homem que queria saber onde eu vivia, o homem que me queria convidar para uma cerveja na Callao, e outro em Santa Fé....
O barulho de chamar pombos que afinal é para chamar chiccas.
Os velhotes com tanta ruga e olhos quase brancos.
Os putos a pedir ou a passar com ar de pelintras que se fosse em Lisboa eu fugia, mas aqui é tanta gente na rua que passam tantas, que se torna usual.
E os adultos que parecem o “pibe” e os outros que não....
LA Boca tão colorida e afável, e eu que não conseguia tirar fotos
E gostava tanto de ouvir a Guadalupe e que me envergonhava de tentar falar a língua...e ficava muda, e sorria, sorria mesmo sem motivos para tal, e sentia-me a fazer figura de parva.
Em San Telmo que feira linda, os phonografos, as fotos, os vestidos, as pautas, as garrafas, e agora qual levar?...
E a milonga do par na rua, que sensual, que bonito...
E o bairro, e o grupo a tocar jambé e eu a sentir o som a entrar em mim, e eu sem me soltar, sem fotografar...e eu que sentia que estava a roubar ao fotografar e intimidava-me....
E a surpresa do mate, que desconhecia e pensava que era droga e fiz mais uma vez figura de tola.
E todos bebem mate na rua, e vende-se água quente!?
E andar em tronco nú, e elas de bikini como na praia em todos os espaços verdes,
Porque tenho praia muito perto e aqui fica a 400 Km.
Tudo a jogar à bola, a fazer palhaçadas, no meio das avenidas, dura o ganho enquanto o sinal não muda.
E as gorjas para todos, porque fazem o seu trabalho e os salários são baixos por aqui.
E o comboio e as filas enormes, enoooooormes mesmo!
À procura de quem dá mais.
E ninguém troca notas e tudo são máquinas de moedas.
E a velhota em San Telmo que toca tambores e tudo de plástico.
Os páteos interiores lindos convertidos em espaços comerciais.
Comércio, muito comércio, os passeios maus mas sempre com acessos para deficientes.
Chega-se ao meio da rua e volta-se para trás pelo trânsito, e o trânsito volta atrás nas passadeiras, pelas pessoas.
A bijutaria, mais e mais e mais, chinelos havaianas, de todas as cores.
E a miúda que me estende a mão no subte me dá um beijo e passa-me o nosso senhor de coração nas mãos para as minhas e eu digo “no quiero” e se vai...
Buenos Aires::: HOT HOT HOT
Os pingos que simulam chuvinha alternada, que surpreendem nos passeios, que dão vontade de passar por lá e pedir que caiam na face e baixem a temperatura.
O piso sempre uma surpresa de tão irregular e mal condicionado,
papeis, papeis, e mais papeis....tudo no bolso para deitar fora ou mais tarde recordar...
sempre “gracias”, sempre “muchas gracias”...por tudo e por nada.
Os kiosques, as pastilhas, rebuçados, bebidas, muitas, muitas bebidas, muita água.
Destilando e procurando sempre caminhar pela sombra...vai pela sombra, sim!
Locutórios, cyber, água, pastilhas, tabaco, fruta nas caixas, cá fora das lojas, tudo fora das lojas.
A relembrar a confiança já inexistente em Portugal.
“Uma foto consigo que é tão bonita...”, e a minha desconfiança, porquê eu?
Deve ser sacanagem....
O homem que queria saber onde eu vivia, o homem que me queria convidar para uma cerveja na Callao, e outro em Santa Fé....
O barulho de chamar pombos que afinal é para chamar chiccas.
Os velhotes com tanta ruga e olhos quase brancos.
Os putos a pedir ou a passar com ar de pelintras que se fosse em Lisboa eu fugia, mas aqui é tanta gente na rua que passam tantas, que se torna usual.
E os adultos que parecem o “pibe” e os outros que não....
LA Boca tão colorida e afável, e eu que não conseguia tirar fotos
E gostava tanto de ouvir a Guadalupe e que me envergonhava de tentar falar a língua...e ficava muda, e sorria, sorria mesmo sem motivos para tal, e sentia-me a fazer figura de parva.
Em San Telmo que feira linda, os phonografos, as fotos, os vestidos, as pautas, as garrafas, e agora qual levar?...
E a milonga do par na rua, que sensual, que bonito...
E o bairro, e o grupo a tocar jambé e eu a sentir o som a entrar em mim, e eu sem me soltar, sem fotografar...e eu que sentia que estava a roubar ao fotografar e intimidava-me....
E a surpresa do mate, que desconhecia e pensava que era droga e fiz mais uma vez figura de tola.
E todos bebem mate na rua, e vende-se água quente!?
E andar em tronco nú, e elas de bikini como na praia em todos os espaços verdes,
Porque tenho praia muito perto e aqui fica a 400 Km.
Tudo a jogar à bola, a fazer palhaçadas, no meio das avenidas, dura o ganho enquanto o sinal não muda.
E as gorjas para todos, porque fazem o seu trabalho e os salários são baixos por aqui.
E o comboio e as filas enormes, enoooooormes mesmo!
À procura de quem dá mais.
E ninguém troca notas e tudo são máquinas de moedas.
E a velhota em San Telmo que toca tambores e tudo de plástico.
Os páteos interiores lindos convertidos em espaços comerciais.
Comércio, muito comércio, os passeios maus mas sempre com acessos para deficientes.
Chega-se ao meio da rua e volta-se para trás pelo trânsito, e o trânsito volta atrás nas passadeiras, pelas pessoas.
A bijutaria, mais e mais e mais, chinelos havaianas, de todas as cores.
E a miúda que me estende a mão no subte me dá um beijo e passa-me o nosso senhor de coração nas mãos para as minhas e eu digo “no quiero” e se vai...

2 Comments:
há experiências que são inesquecíveis ... sensações inigualáveis ... visões únicas ... recordações que nunca se esquecem e que nos fazem querer mais.
:::pulga:::
gostei muito. c.s.
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